Saiu o sumário executivo da pesquisa feita pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): jornalistas no Brasil são majoritariamente mulheres (58%), brancas (68%), solteiras (53%), com até 40 anos e com renda média inferior a R$ 5,5 mil por mês (60%), “um perfil que mudou pouco em relação ao levantamento de 2012”.
Realizado entre agosto a outubro deste ano com 6.594
profissionais de todo o país, o estudo mostra que as condições de trabalho dos
jornalistas estão se deteriorando. 66,2% se sentem estressados no trabalho,
sendo que 34,1% responderam terem sido diagnosticados clinicamente com
estresse. Este texto da Abraji coloca o problema em perspectiva: “Para se
ter uma ideia de como o estresse é um componente de saúde agravado, pode-se
comparar com o percentual de jornalistas que revelaram ter doenças ocupacionais
como Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados
ao Trabalho (19,9%)”.
Quando comparada com os dados da pesquisa de 2012, a
precarização se destaca: quanto aos tipos de contratação, reduziu o volume de
vínculos CLT e as formas precárias chegam a 24% (freelancers, prestação de
serviços sem contrato, PJ e MEI); quanto à jornada de trabalho, o percentual de
jornalistas com carga diária superior a 8h permanece alarmante: 42,2%. À
Abraji, Samuel Pantoja Lima, um dos coordenadores do estudo, afirma que “a
deterioração dos indicadores de saúde laboral e os claros indicadores de
precarização do trabalho produzem um resultado muito relevante sobre a
qualidade final do conteúdo produzido e veiculado pelas organizações
jornalísticas”. Há também uma boa notícia: o incremento de pessoas negras na
profissão (de 23% para 30%), “resultante da combinação entre cotas nas
universidades, ações por mais diversidade no mercado e autoidentificação
impulsionada pelo avanço das lutas antirracistas na sociedade na última
década”.
A pesquisa teve apoio institucional da Abraji, Fenaj, ABI,
APJor, SBPJor, Abej e parceria da Intercom.
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