terça-feira, 16 de novembro de 2021

ANALISE CRÍTICA DO JORNALISMO NA COBERTURA DA MORTE DE MARÍLIA MENDONÇA



Uma semana após a morte da cantora  sertaneja em um acidente de avião, selecionamos algumas reflexões sobre a cobertura jornalística do caso. A primeira versão da assessoria de imprensa informava que os ocupantes do avião tinham sobrevivido e estavam bem, mas os bombeiros não confirmavam.

Isso causou confusão e evidenciou as dificuldades desse tipo de apuração. Em nota divulgada nesta segunda-feira, a assessoria disse que em nenhum momento o equívoco foi intencional e que “fontes confiáveis foram responsáveis pela informação de que havia sobreviventes”. No UOL, Mauricio Stycer destacou que “os momentos iniciais foram marcados por muita desinformação e exageros”. [Aqui vale um comentário nosso: Stycer chama a informação errada de “fake news”, mas não se trata disso.

Erro jornalístico não é deliberado e, portanto, diferente conceitualmente de fake news]. O BuzzFeed fez uma curadoria de posts mostrando que “parte da imprensa e dos usuários das redes sociais parecem ter desaprendido a lidar com o respeito ao luto alheio”. A Folha foi criticada por artigo do professor Gustavo Alonso, publicado no dia seguinte ao acidente.

 O Congresso em Foco compilou algumas delas, que destacam o tom machista e gordofóbico do texto. Esta matéria do UOL chama atenção para a comunicação de tragédias sob o ponto de vista das empresas ou personalidades que vivem momentos de crise. Esperar a confirmação dos dados antes de emitir uma informação oficial, responder os questionamentos da imprensa e agir com rapidez na correção de erros são algumas estratégias indicadas por especialistas.

 No ObjETHOS, a professora Sylvia Moretzsohn destaca que, em casos como esse, a comoção acaba sobressaindo e é muito difícil fugir à espetacularização. Ela amplia a reflexão para discutir a questão do gosto e da formação de bolhas, referindo-se aos debates sobre a qualidade musical e artística de Marília Mendonça. “A promessa de alargamento de horizontes alardeada pelos entusiastas da nova tecnologia veio a significar precisamente o contrário: a internet explicitou e ao mesmo tempo incentivou um comportamento que já existia no cotidiano, e que talvez não percebêssemos, que é o de fincar pé e reiterar as próprias convicções”, diz.

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