terça-feira, 16 de novembro de 2021

O LEGADO DE ADELMO GENRO FILHO: COMO O JORNALISMO É CAPAZ DE TRANSFORMAR A REALIDADE

 


Nesta semana rolou o 19º SBPJor. O tema do encontro deste ano foi o legado de Adelmo Genro Filho. Queria compartilhar com vocês algumas anotações que fiz da mesa "O jornalismo como forma de conhecimento: o legado de Adelmo Genro Filho", que reuniu o ex-governador do RS Tarso Genro (que, aliás, é irmão de Adelmo), o jornalista e professor Pedro Luiz da Silveira Osório e o jornalista, professor e pesquisador Eduardo Meditsch. A contribuição de Adelmo Genro Filho é fundamental para a compreensão da importância do jornalismo - especialmente a partir do livro.

 

O Segredo da Pirâmide. Não por acaso, as ideias de Adelmo já apareceram aqui na NFJ algumas vezes, como, por exemplo, a NFJ#45, lááá em 2015. Enfim. Na mesa, Tarso Genro localizou a obra de Adelmo em meio ao contexto social e político do final da década de 1970 e o começo de 1980 (Adelmo faleceu precocemente em 1988, aos 37 anos). A contextualização é importante porque as reflexões de Adelmo foram propostas em meio a uma efeverscência político-filosófica da esquerda brasileira, que naquele momento buscava alternativas para lutar contra a ditadura.

Nesse contexto, Adelmo viu no jornalismo uma possibilidade de gerar um tipo de conhecimento social capaz de transformar a realidade. E aí que entra a teoria proposta por ele. Em sua fala, Pedro Osório explicou de maneira sintética e muito didática seus principais conceitos. Sabe-se que um dos principais desafios do jornalismo, observou Osório, é desvendar "aspectos essenciais das relações sociais que [...] à primeira vista manifestam-se como fenômenos naturais".

Não compreender isso faz com que aumentem "as possibilidades de que noticiemos fatos sem perceber a complexidade das suas origens, sem distinguir seus fenômenos geradores e a essência dos mesmos". Segue Osório: "Adelmo sustenta que o jornalismo não lida originalmente com fatos, mas com fenômenos. É da percepção e interpretação destes, da compreensão e revelação de suas conexões, propósitos ou resultados que devem resultar os fatos constituintes da notícia."

O jornalista é quem percebe e interpreta esses fenômenos - e o faz a partir do que o fenômeno tem de singular. E aí que mora o caráter revolucionário da teoria de Adelmo, pois "sempre teremos muitas singularidades à nossa disposição. A escolha que fizermos determinará se a matéria contribuirá para a perpetuação da desigualdade ou para a sua redução ou eliminação". Em sua fala, Eduardo Meditsch lembrou que um dos legados de Adelmo é a institucionalização da teoria do jornalismo no Brasil, seja em disciplinas nos cursos de graduação, seja em organizações como a SBPJor. Além disso, aproximou Adelmo de Paulo Freire.

Segundo Meditsch, não se pode pensar em um projeto emancipatório sem que o jornalismo seja capaz de dialogar com a maior parte da população, e hoje o jornalismo de referência não faz. Para quem quiser se aprofundar, o Farol Jornalismo publicou a íntegra da fala de Pedro Luiz Osório. E a tese de Felipe Simão Pontes, mediador da mesa, é outra bibilografia referência no assunto.

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