Nesta semana rolou o 19º SBPJor. O tema do encontro deste ano foi o legado de Adelmo Genro Filho. Queria compartilhar com vocês algumas anotações que fiz da mesa "O jornalismo como forma de conhecimento: o legado de Adelmo Genro Filho", que reuniu o ex-governador do RS Tarso Genro (que, aliás, é irmão de Adelmo), o jornalista e professor Pedro Luiz da Silveira Osório e o jornalista, professor e pesquisador Eduardo Meditsch. A contribuição de Adelmo Genro Filho é fundamental para a compreensão da importância do jornalismo - especialmente a partir do livro.
O Segredo da Pirâmide. Não por acaso, as ideias de Adelmo já
apareceram aqui na NFJ algumas vezes, como, por exemplo, a NFJ#45, lááá em
2015. Enfim. Na mesa, Tarso Genro localizou a obra de Adelmo em meio ao
contexto social e político do final da década de 1970 e o começo de 1980
(Adelmo faleceu precocemente em 1988, aos 37 anos). A contextualização é
importante porque as reflexões de Adelmo foram propostas em meio a uma
efeverscência político-filosófica da esquerda brasileira, que naquele momento
buscava alternativas para lutar contra a ditadura.
Nesse contexto, Adelmo viu no jornalismo uma
possibilidade de gerar um tipo de conhecimento social capaz de transformar a
realidade. E aí que entra a teoria proposta por ele. Em sua fala, Pedro Osório
explicou de maneira sintética e muito didática seus principais conceitos.
Sabe-se que um dos principais desafios do jornalismo, observou Osório, é
desvendar "aspectos essenciais das relações sociais que [...] à primeira
vista manifestam-se como fenômenos naturais".
Não compreender isso faz com que aumentem "as
possibilidades de que noticiemos fatos sem perceber a complexidade das suas
origens, sem distinguir seus fenômenos geradores e a essência dos mesmos".
Segue Osório: "Adelmo sustenta que o jornalismo não lida originalmente com
fatos, mas com fenômenos. É da percepção e interpretação destes, da compreensão
e revelação de suas conexões, propósitos ou resultados que devem resultar os
fatos constituintes da notícia."
O jornalista é quem percebe e interpreta esses fenômenos - e
o faz a partir do que o fenômeno tem de singular. E aí que mora o caráter
revolucionário da teoria de Adelmo, pois "sempre teremos muitas
singularidades à nossa disposição. A escolha que fizermos determinará se a
matéria contribuirá para a perpetuação da desigualdade ou para a sua redução ou
eliminação". Em sua fala, Eduardo Meditsch lembrou que um dos legados de
Adelmo é a institucionalização da teoria do jornalismo no Brasil, seja em
disciplinas nos cursos de graduação, seja em organizações como a SBPJor. Além
disso, aproximou Adelmo de Paulo Freire.
Segundo Meditsch, não se pode pensar em um projeto
emancipatório sem que o jornalismo seja capaz de dialogar com a maior parte da
população, e hoje o jornalismo de referência não faz. Para quem quiser se
aprofundar, o Farol Jornalismo publicou a íntegra da fala de Pedro Luiz Osório. E a tese de Felipe Simão Pontes, mediador da mesa, é outra
bibilografia referência no assunto.
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